Menu

Como a propaganda influencia a opinião dos jogadores

“A propaganda é a alma do negócio!”, você já deve ter escutado este termo, não?

Com as crises econômicas ao redor do planeta somado aos avanços das mídias digitais e das produtoras independentes, as principais empresas de jogos eletrônicos tem cada vez mais procurado novos métodos para se manter no mercado. Muitas vezes essas ações são utilizadas de maneira infiel ao consumidor, como foram os polêmicos casos dos jogos de luta desenvolvidos pela Capcom e seus DLCs (Conteúdo Adicional Transferível) na qual já se encontravam dentro do disco, porém eram cobrados alguns meses mais tarde para desbloqueio e uso deste conteúdo.

Maquiadas de maneira a parecer bonito por fora e sendo completamente podre por dentro, diversas formas desleais tem sido desmascaradas, forçando os grandes nomes do comércio eletrônico a procurar novas formas de arrancar o dinheiro do consumidor, lucrar e se manter no mercado. A última tem sido o investimento pesado na “propaganda enganosa”, já utilizada muito no passado.

Cuidado ao adquirir um Playstation nos camelôs e não acabar levando um PolyStation. Segundo a caixa é um Video Game produzido pela Nintendo em parceria com a Sony. É rir para não chorar!

Essa é, sem sombras de dúvidas, a pior de todas as armas quando se trata de enganar o consumidor. Isso pelo mesmo motivo que as pessoas protegem o conservadorismo quando se trata de política: dobrar o público alvo em defender uma causa ou produto mostrando apenas um lado da moeda.

Poderíamos entrar em diversos assuntos neste artigo, porém focaremos no que os Ninjas do Brasil mais gostam: jogos eletrônicos! Antes porém, lembrem-se: não é por que uma obra possui seus defeitos que ela não deve ser apreciada. Muito dos filmes dos anos 80, por exemplo, continham cenas e enredos de cunho racista, porém passavam algum tipo de mensagem em outro aspecto, ou pelo menos possuíam uma boa ação. No mundo dos jogos eletrônicos é a mesma coisa: não é porquê um jogo possui atributos ruins, que não deve ser jogado ou mesmo apreciado pelo jogador, desde que ele tenha o senso crítico para discernir a realidade da ficção.

O problema central é como defendemos em demasia uma obra da qual gostamos. Falamos coisas irreais, baseadas em mentiras propagandistas, que tem como objetivo vender um produto. No final acabamos dizendo que jogo X é bem feito, bem programado, inovador, etc… quando no final foi um produto com alto investimento na propaganda, como poucas diferenças do que já existe no mercado, utilizando um famoso nome de alguma franquia ou de uma companhia para simplesmente “caçar os níquéis” dos jogadores.

Ghost Rider é um dos jogos de preferência do redator Ninja Veritas Volpe. No entanto o redator só elogia a atmosfera, já que o jogo em si é uma cópia mal feita, repetitiva e maçante de God of War.

Mas como a propaganda influencia a opinião dos jogadores nos aspectos práticos?

Peguemos o Playstation 3, um dos video games favoritos da redação Ninja, por exemplo. Alguém aí lembra do alvoroço que foi o lançamento do 1° Uncharted? E o quão a saga é reconhecida como uma das melhores já lançadas (isso quando ainda era uma trilogia)? A reação que tive, quando perguntei para meus amigos que queriam muito jogar o game foram todas as mesmas: esperava mais! E isso levando em consideração a época! Uncharted possui uma das melhores histórias e personagens escritos no mundo dos games e um visual bonito para a época. Porém o gameplay, principalmente nos dois primeiros, não poderiam ser mais quebrados. Alguém aí lembra de Tomb Raider Legends? Foi lançado 1 ano antes. Possui uma plataforma rápida e responsiva, uma ação razoável, uma história excelente e diversos segredos para voltar às fases já visitadas, aumentando o tempo de replay. Uncharted: Drakes Fortune, lançado um ano depois, possui uma plataforma completamente quebrada, uma ação repetitiva e dificultosa pelo número e não pela inteligência.

Em Tomb Raider Legends tudo é fluído e assimétrico, passando a noção de espaço ao jogador; quanto que em Drakes Fortune e Among Thieves o jogador não sabe se tem como ou não realizar determinado salto, já que as vezes é possível ir longe, e outras não. É frustrante!

Tomb Raider Legends e Uncharted são dois ótimos jogos, no entanto Tomb Raider possui um gameplay muito mais refinado. Apesar de mais antigo, o Legends, mesmo se afastando completamente dos seus predecessores e sendo um Reboot da série, conseguiu ser superior.

The Last of Us não é muito diferente. O game do ano, que ganhou diversos prêmios, foi muito elogiado, principalmente pelo seu “realismo“. Com uma excelente história, atmosfera envolvente e gráficos de tirar o fôlego, temos sim, um jogo bom. No entanto, para merecer diversos prêmios, mesmo para a época, ainda está muito longe. Talvez como filme, mas como jogo não inovou e muito menos aprimorou o que o mercado já havia nos apresentado.

Devemos levar em consideração que muitas vezes o jogador que elogia por de mais uma obra simplesmente o faz por quê não possui outras referências. Com os valores absurdos cobrados nos consoles e jogos eletrônicos no Brasil é difícil conseguir uma grande variação. É como o conhecimento: se não houver de onde puxarmos as referências históricas acabamos acreditando em tudo o quê nos é dito, assim apoiando guerras e outras atrocidades de maneira cega e vivendo na ignorância.

Isso quer dizer que devemos parar de jogar estes games?

Não. Muito pelo contrário! Se o jogador gosta de jogos voltados para a história, com gráficos bonitos e não se importa de morrer algumas vezes devido ao gameplay quebrado, estas obras tem tudo para serem jogados. A forma como se apegamos a qualquer tipo de obra, na maioria das vezes, ocorre por quê nos identificamos com a ideia e os personagens, o que já é motivo para gostar do jogo. Só não podemos cometer o erro de achar que essas obras são nossas vidas a ponto de defende-las com informações inconsistentes por um orgulho consumista infundado. É a mesma coisa que comparar a jogabilidade limitada e pouco balanceada de God of War (um outro grande jogo de história e gráfico) com a jogabilidade refinada e bem equilibrada da série Onimusha ou Devil May Cry no sistema do Playstation 2.

Devil May Cry 3 possui um gráfico inferior a God of War, trazendo mais espaço e processamento para seu núcleo de jogabilidade. Um dos gameplays mais balanceados e justos e inovador no sistema; Fácil de aprender porém difícil de se tornar pró-eficiente.

Gostaríamos de lembrar que pegamos os exemplos que os brasileiros mais possuem acesso, mas isso não se limita apenas para os jogos da Sony, se estende para outras plataformas, como a Nintendo, a Microsoft, Sega, etc… No final, muitos jogos que possuem uma jogabilidade boa morrerão na obscuridade em seu lançamento para serem considerados clássicos cult no futuro, quanto que muitos que farão demasiado sucesso só continuarão a ser elogiado enquanto a propaganda e futuros lançamentos os sustentarem, como foi o caso do último Resident Evil 6.

Apesar da jogabilidade ser a essência do Vídeo Game, não é o único atributo a ser apreciado, e pode sim oferecer ótimas horas de entretenimento. Só devemos ter o discernimento de que gostar de um determinado jogo não faz dele um jogo inovador, ou bem programado, ou com uma jogabilidade equilibrada. Seria a mesma coisa que adquirir um carro antigo e de alto consumo por gostar da aparência do veículo e sair por aí dizendo que não consome muita gasolina. Seria ignorância pura!

A propaganda influencia a opinião de muitos jogadores a ponto de ficarem cegos, o que acarreta na disseminação de outros problemas sociais no ambiente dos jogos eletrônicos, como a propagação de Haters ou Fanboys. Esses simplesmente deixam de se importar com as obras (jogos) para defenderem um sistema, que não é nada mais do que um acessório de acesso a essas criações, mas isso é assunto para, quem sabe, um próximo artigo.

Não deixe que a propaganda influencie você também!

Dica Ninja: jogue os jogos que gosta, mesmo que pequem em algum aspecto, por quê nenhum jogo é perfeito! Não deixe de gostar de um jogo simplesmente por que a mídia critica. No entanto, procure não inventar aspectos inexistentes para defender algo que foi pensado no seu dinheiro, e não em você.

Vinicius Tarouco
Redator e Analista SEO. Jornalista por paixão e aficionado por tecnologia, livros e jogos eletrônicos.

2 comments

  1. Flávio disse:

    Interessante.

  2. felipe disse:

    Gostei muito do que li aqui no seu site. Estou estudando o assunto, Mas quero agradecer por que seu texto foi muito valido.

Deixe uma resposta